Candida Albicans – Saiba o que é, sintomas e tratamentos

Candida Albicans – Saiba o que é, sintomas e tratamentos

Candida albicans é uma levedura com história de dimorfismo fúngico invertido, ou seja enquanto outros fungos se encontram na natureza na fase miceliana e causam doenças no homem na fase leveduriforme a Candida albicans comporta-se de modo contrário.

A biologia da Candida albicans apresenta diferentes aspectos, entre eles, a habilidade de se apresentar com distintas morfologias.

A fase unicelular leveduriforme pode gerar um broto e formar hifas verdadeiras. Entre esses dois extremos, brotamento e filamentação, o fungo ainda pode exibir uma variedade de morfologias durante seu crescimento, formando assim as pseudo-hifas, que na realidade são leveduras alongadas unidas entre si.

A mudança na morfologia de fase leveduriforme para filamentosa pode ser induzida por uma variedade de condições ambientais, como variação de temperatura e de pH7.

Mudanças na micromorfologia ocorrem em função da expressão genética, que se reflete na macromorfologia do desenvolvimento leveduriforme quanto à cor, que pode ser do branco ao creme, e ao aspecto, pastoso, brilhoso ou opaco.

Porém, o estado leveduriforme pode evoluir para filamentoso, ou até mesmo uma mescla de células fúngicas leveduriformes e filamentosas.

O critério para a diferenciação entre hifa verdadeira e pseudo-hifa está na observação da formação do tubo germinativo (hifa verdadeira).

A partir da célula leveduriforme, na formação da hifa verdadeira não há a constrição entre a célula-mãe e o filamento, já pseudo-hifas possuem a constrição entre a célula-mãe e o comprimento do filamento.

Diferença maior entre a hifa verdadeira e a pseudo-hifa está na organização de seus ciclos celulares.

Em Candida albicans, os termos hifa e tubo germinativo são considerados frequentemente sinônimos. A hifa que se projeta do primeiro ciclo celular, antes da formação do septo, é chamada de tubo germinativo, termo que deveria ser usado para descrever o alongamento que desenvolve a hifa.

O termo hifa refere-se a toda não ramificação e aos filamentos que contêm mais de um septo e ausência de constrições.

No primeiro ciclo celular da pseudo-hifa, o anel do septo aparece entre a célula-mãe e a célula-filha antes do surgimento do broto.

O processo de mitose é iniciado e, quando se completa, as células separam-se, com a formação de um septo composto principalmente de quitina.

Em se tratando de ciclo celular de pseudo-hifa e levedura, não existem muitas diferenças, com exceção do alongamento e da separação da célula por completo, permitindo a formação do septo, sendo que na pseudo-hifa as formações do septo e da constrição coincidem no mesmo ponto. A formação da hifa verdadeira é mais distinta, a partir da fase leveduriforme surge o tubo germinativo antes do ciclo celular, logo há a formação do primeiro septo entre o alongamento do broto e não entre a célula-mãe e a célula-filha, como nas leveduras e pseudo-hifas.

A primeira divisão nuclear não ocorre entre a célula-mãe e a célula-filha, como nas leveduras e pseudo-hifas, pois o núcleo migra para fora da célula-mãe e divide-se no prolongamento, logo finda a mitose e instala-se o septo no tubo germinativo. A Candida albicans, a orientação do tubo germinativo em estado leveduriforme e pseudo-hifa é determinanda pelo polarissoma (complexo de proteínas envolvidas na orientação do crescimento do tubo germinativo), enquanto na formação do tubo germinativo de hifa verdadeira a orientação é determinada tanto pelo polarissoma como pelo spitzenkorper (estrutura responsável pelo crescimento e desenvolvimento polarizado encontrada apenas em hifas verdadeiras).

Clamidoconídios (clamidosporos) são estruturas de resistência encontradas na Candida albicans, são formadas quando o fungo se encontra em um local onde não há todos os nutrientes necessários para seu desenvolvimento, como por exemplo, meios de cultura feitos à base de arroz e milho, como o industrializado corn meal.

A formação de clamidoconídios sob condições específicas é uma das maneiras eficientes de se distinguir Candida albicans de C. dubliniensis.

O fenômeno de switching tem sido muito investigado nos últimos anos na Candida albicans. Esse fenômeno entre células brancas e opacas, inicialmente identificado como uma transição celular, está limitado a apenas algumas linhagens.

As células leveduriformes “brancas” são ovoides e formam colônias geralmente de cor creme. As células leveduriformes “opacas” são alongadas e formam colônias acinzentadas.

Recentes evidências estabeleceram que este fenômeno está ligado à “sexualidade” da Candida albicans, que requer genes homozigotos para o locus MTL.

A diferença não fica somente na morfologia; células leveduriformes “brancas” possuem estilo de vida fermentativo, enquanto células leveduriformes “opacas” mostram características de metabolismo oxidativo.

Além da Candica Albicans muito conhecida por causar a candidíase quando se encontra em desequilibrio no nosso organismo. Existe outras Cândidas e algumas atuam no organismo humano causado outras patologias.

Segue algumas dessas Cândidas conhecidas que são prejudiciais aos seres humanos:

Candida Ciferrii

A candida ciferrii é uma levedura cujo estado teleomorfo corresponde ao Stephanoascus ciferrii. A assimilação de inositol é uma característica quase exclusiva desta espécie, compartilhada com poucas deste mesmo gênero, como Candida curvata e Candida hellenica (leveduras de origem ambiental), e com outros gêneros como Cryptococcus e Trichosporon, dos quais se diferencia facilmente pela hidrólise da ureia. C. ciferrii pode ser isolada do solo e de animais, sendo que a primeira descrição dessa levedura foi realizada em 1965. No ser humano já foram descritos casos de onicomicoses, candidemias, infecções em imunodeprimidos e uma forma disseminada em um paciente com leucemia mieloide aguda. Relatos de casos demonstram que C. ciferrii é resistente ao fluconazol .

Candida Haemulonii

O primeiro isolado humano ocorreu em 1984, do sangue de um paciente que dependia de hemodiálise devido a sua insuficiência renal, e que faleceu apesar de terapia com anfotericina B e 5-fluorocitosina. Posteriormente, dois casos de fungemia por Candida haemulonii foram reportados em pacientes com câncer e anemia megaloblástica. Recentemente, isolou-se este fungo do sangue e cateter de um paciente pediátrico com câncer e de pacientes diabéticas e não diabéticas com candidíase vaginal. Após estes relatos, C. haemulonii tem sido responsável por onicomicoses, paroníquias e candidíase vaginal em pacientes debilitados em geral. A identificação de C. haemulonii é complicada devido à semelhança fenotípica com Candida famata e C. guilliermondii. Os isolados de Candida haemulonii demonstraram um aumento na resistência para fluconazol, itraconazol e anfotericina B, porém são suscetíveis a voriconazol, 5-fluorocitosina e caspofungina.

Candida Dubliniensis

A Candida dubliniensis  é uma espécie de levedura patogênica semelhante à Candida Aalbicans. Apesar de serem bem próximas, a Cândida  albicans é significantemente mais patogênica. A Candida Dubliniensis é comumente associada a mucosa oral em pacientes com infecções pelo HIV e pacientes diabéticos, embora seja identificada também na cavidade oral de uma minoria de indivíduos saudáveis. Apesar de pacientes com infecções sistêmicas por Candida Dubliniensis se recuperam mais failmente ao contrário da Candida albicans .

Candida Famata

A candida famata é usualmente encontrada em alguns alimentos, incluindo laticínios.  É um patógeno oportunista que habita a cavidade oral. Antes se pensava que candida famata não fosse patogênica para os seres humanos, porém foi detectado casos clínicos como relatados de onicomicoses, fungemias, alveolites, peritonites, endoftalmites , infecções no mediastino e no sistema nervoso central.